Livro da Semana

A Desobediência Civil por Henry David Thoreau, livro com idéias que formularam o movimento anarquista contemporâneo.
Não é dever de um homem, na verdade, devotar-se à erradicação de qualquer injustiça, mesmo a maior delas. (...) Mas é seu dever, ao menos, lavar as mãos em relação a ela e não lhe dar seu apoio em termos práticos.

sobre o blog

Apenas algumas idéias práticas que coincidam com meu dia-a-dia, com doses cavalares de ironia, excitação, ódio, alegria e toda a gama variada de sentimentos por qual um adolescente comum é submetido. 
Não direcionado a exibição de nada, ao menos exposição de idéias para pessoas próximas. Por isso, não interprete errado

Uma questão de se aparecer

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Há duas semanas atrás, haviam começado o segundo semestre letivo, e eu já havia parado com o remo há algum tempo. Eu queria logo começar alguma atividade física, com preferências sendo de baseball e basquete. Mas resolvi optar primeiro por um pouco de academia, apenas para sair do sedentarismo (não que eu não faça numa base diária caminhadas e semanalmente maratonas de bicicleta) - e cair num tipo de comodismo. A academia é um espaço extremamente sujo e nojento onde o intuito é conseguir praticar atividades físicas para melhor funcionamento do corpo - mas todos nós sabemos que não é assim que acontece. É um ambiente cheio de pessoas narcisistas e estressadas que não querem sair da rotina e acham na academia o modo perfeito de se exibir para o resto do bairro, ficar malhado e, claro, aparecer. Eu moro num bairro periférico de Florianópolis completamente suburbano e cheio de nativos (nascidos na cidade) - o que significa doses cavalares de comodismo, fofoca e ignorância. São pessoas que não se preocupam com nada além de sua aparência e da vida alheia, e vivem uma rotina estressante e acabam descontando isso nos outros. Esses mesmos levam uma vida infeliz que tentam mascarar comentando o quão infeliz é a vida do vizinho, não suportam o progresso e a idéia da mudança é simplesmente inaceitavelmente complicada para eles. É isso a que se resume grande parcela da população florianopolitana, e na verdade, da população em geral. Não é um fenômeno isolado. Mas o meu intuito não era falar sobre isso; era sobre o Templo do Espelho: a academia. Rodeado por espelhos enormes e colados um ao outro, e por pessoas 'saradas' e de nariz empinado, as pessoas tornam-se pressionadas a se integrarem naquilo que significa para mim um nível baixíssimo demais para uma pessoa se deixar chegar. Felizmente, a única pressão que eu sinto é a de nunca chegar aquela ponto deplorável, e o que eu faço é o meu exercício e, naturalmente, rir de tanta estupidez.

Sexta-feira. Vou dar uma saída, estão dizendo Balneário Camboriú, mas prefiro ficar numa festa na praia qualquer. Preciso disso agora.  

Conclusão extremamente triste

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Eu não sei bem o que eu poderia escrever. Bem, talvez eu esteja errado, talvez o meu ponto de vista dessa vez esteja errado. Talvez eu finalmente tenha que admitir os meus erros bem alto e para todo mundo ouvir, e virar uma máquina para agradar todas as pessoas perfeitinhas ao meu redor. Eu tinha uma amiga que eu nunca imaginaria que fosse virar minha amiga. De cara pensei que ela fosse uma daquelas menininhas metidas e mimadas, que eu inexoravelmente odeio, e se não odeio, me irrito sempre. Mas ela não era. Ela era legal, inteligente, e tinha uma cabeça formada. Não se deixava levar por opiniões alheias e ouvia, analisava, e respondia essas opiniões. Tínhamos compatibilidade em alguns gostos, poucos, mas tínhamos. Dividiamos sugestões e chegamos a um grau de confiança num tempo recorde para mim. Mas, infelizmente, após o intervalo de inverno, isso acabou. Se separamos e ela mudou de um modo insuportavelmente extremo. Talvez influência; mas influência só se dá quando a pessoa se deixa levar, e também meu intuito não é culpar, de modo algum, ninguém. Convivência e estilo de vida são coisas que podem se misturar, e nesse caso realmente aconteceram. Talvez a convivência dessa primeira pessoa com uma segunda que é mimada ao extremo tenha a influenciado, porque, sinceramente, a primeira parece uma cópia da segunda. E é triste pensar que a segunda e algo próximo a uma Menina-Capricho, termo que uso para descrever menininhas que passam sua vida adolescente falando de meninos, roupas, mais meninos, e maquilagem. Elas tem mais de 14 anos mas agem como menininhas de 8. São esnobes, fúteis e se acham superior do que a maior parte da população - menos os meninos que aparecem na sua revista favorita, que é, claro, a Capricho. É triste, mas elas existem aos montes e se multiplicam com o avanço das modas que chegam sem atraso toda estação. 
Meus amigos da escola e meus amigos fora dela são coisas que eu mantenho separado. Não por medida de cautela, ou medo, nem nada do tipo, mas são duas vidas sociais diferentes e dois grupos de pessoas completamente opostas. Devo dizer que o meu grupo da escola e talvez mais variado - e maior, ao menos quatitativamente - do que o de fora dela. Talvez porque o meu grupo de fora eu limite apenas aos meus amigos de verdade, por quem sentimos falta e dividimos sentimentos, sem pré-julgamento. Já os da escola é por causa da convivência mesmo. Claro que, mesmo nesse curto período de tempo - aliás, para minha surpresa -, fiz alguns amigos em que, ao menos em alguma parcela, já confio e acolho, mas alguns eu realmente não considero como amigos, no que eu considero o verdadeiro sentido da palavra. Meus outros amigos são mais despreocupados, menos estressados e subsequentemente mais incosequentes, mas - talvez por conhecer a mais tempo, ou pela medida de identificação mesmo - demonstram mais amizade. Não que eu demonstre muita amizade, mesmo as pessoas mais possivelmente próximas de mim, ao menos não por palavras. Sou discreto e até as vezes seco, o que pode ser interpretado como se eu não desse importância as pessoas e as achassem recicláveis, o que é extremamente o oposto de mim. Na verdade, eu passo tanto tempo preocupado com meus amigos - ou, melhor, o que eles querem e o quão se importam comigo - que eu me surpreendo. Tenho mania de perserguição e suspeita, como se tudo fosse alguma exclamação contra mim ou como se tal pessoa não goste de mim, sem contar a óbvia dificuldade de me expôr, o que, naturalmente, eu considero um risco enorme a se correr e uma barreira enorme a transpôr.
Muitos pensam que eu não tento melhorar meus defeitos internos, como se não fosse uma das coisas com qual mais eu me preocupo. Algumas pessoas simplesmente agem como se tudo fosse perfeito e todos devem se adequar a norma da perfeição, o que é impossível. Não somos elementos fabricados numa revista rosa para pré-adolescentes, somos pessoas, com defeitos, dificuldades, necessidades. Pode ser difícil para algumas pessoas admitirem isso, mas, acredite, é mais difícil para o outro ver você não admitindo isso.

Coloquem as máscaras e cantem.

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Eu tive um final de semana ótimo. Uma das pessoas que eu mais gosto estava de aniversário, e fez uma festa. Fui e me diverti bastante, e acabei dormindo lá - mas não é sobre isso que eu quero falar, infelizmente. Eu realmente não queria ter que escrever sobre isso aqui, na verdade, eu não queria ter sobre o que falar, entende? Se não, irão mais tarde. 

Minha mãe é bastante solitária, quando o assunto são amigos. Sempre foi. Na verdade, é interessante - de um modo negativo, mas não deixa de ser - o fato de que ninguém maior que 30 anos próximo a mim tem um significante número de amigos, e quando eu digo amigos, eu não digo superficialmente. Isso é triste. Eu não imagino a minha vida sem um grupo de amigos diversos, e eu definitivamente não quero crescer pra apenas morar em um subúrbio e ter uma vida sem amigos verdadeiros e estressante. Não, definitivamente não quero isso pra mim. Voltando ao assunto original, minha mãe conheceu uma mulher no serviço dela com quem ela se identificou muito, e elas ficaram bastante próximas - ainda acho que não posso chamar o que elas tem de amizade, porque é tudo sobre os outros. Sempre é sobre eles, os outros. E acontece que essa mulher pertence a uma seita pentecostal, daquelas que seduzem o fiel dizendo que são diferentes de outras igrejas cristãs e que não julgam - e principalmente, que não cobram. Como assim? O 11º mandamento cristão é dar dinheiro para construir a casa do Senhor Todo Poderoso, como podem eles negar isso? Hipocrisia, baby. .

Como qualquer cristão que se preze, essa amiga de minha mãe a convidou para um culto de sua adorável igreja, direcionada a membros de classe média que não admitem entrar em uma daquelas igrejas de madeira - como se lá não fossem falado as mesmas coisas. E minha mãe, como qualquer cristão que se preze, aceitou prontamente o convite, como se isso legitimasse para todos seu ingresso como adoradora de Deus e toda a companhia do céu. Ela, sabendo que eu estou afastado do cristianismo a muito tempo, mas ignorando o fato de que eu não sou cristão, me colocou pressão para ir a semana inteira, e eu sabia que não iria. Porém, quando eu voltei da casa dessa minha amiga, pensei que tudo bem ir um dia só para agradar eles. Esse agrado durou três horas de 'oh meu Senhor, me proteja', de 'derrame seu sangue em mim' e 'a juventude está tão perdida'... E ainda tive que ouvir as boas vindas de um dos manda-chuvas da igreja, que acontece por ser um dos diretores da RBS, subsidiária da Globo aqui na cidade. Imagine, nunca há manipulação de notícia. 

Adoráveis boas vindas. 'Não há julgamento nem obrigação de dar dinheiro nessa igreja. Somos completamente respeitosos e blá'. Como eu disse, é uma daquelas igrejas cristãs mais discretas - mas que como qualquer outra igreja evangélica usam os artifícios clássicos da música para distrair e alienar e da repetição para aprofundar a alienação [por sorte me tornei imune a isso]. Ou seja, não há julgamento escancarado na cara de quem passa, como é, por exemplo, nas igrejas evangélicas neo pentecostais. Porém, a idéia de viver como comunidade na igreja é profundamente plantada lá, o que faz os fiéis caírem na clássica espiral de alienação e ignorância a qual todos os integrantes de igrejas são submetidos. Foi estressante notar que meus pais não tem estrutura racional suficiente para detectar essa lavagem cerebral e realmente se tocarem que é tudo um jogo sujo de palavras e ritmos cuidadosamente feitos para transforarem pessoas em robôs de pastores ambiciosos, e mais uma desculpa para as pessoas não pensarem muito e não se esforçarem bastante apenas repetindo aquela mesma enferrujada porém ainda a constante universal dos bobos: acredite em Deus, venha a nossa igreja, e você terá o que quer. Por favor. Abram os olhos. Mas é bom ignorar tudo e apenas viver a vidinha, não é? Até você ser a vítima da própria obra, a obra do Senhor [pastor].

Os gritos no corredor

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Hoje foi o primeiro dia do semestre letivo, e foi como deveria ser: agitado, confuso e, apesar de não sermos mais calouros, novo. Estamos na segunda fase e tudo parece estar acontecendo muito rápido - e de certa forma, realmente está. A 'geração agora' que precisa de tudo imediatamente e faz muitas coisas ao mesmo tempo não sabe administrar seu tempo e não sabe usá-lo de forma completa. 
Quando entrei na escola, um minuto após de seus portões terem sido abertos, fui correndo comprar meu primeiro café do semestre letivo com as sempre simpáticas funcionárias da cantina, e, surpresa: como mudou de mãos o espaço da cantina, para um administrador que parece que vai tranformar aquilo em uma lanchonete cara e sem aquela sensação caseira que a anterior nos fornecia, só irá abrir daqui a duas semanas, fato terrível. Então vi uma amiga de sala, e começamos a conversar. Depois, quando mais gente começava a chegar e o horário da aula a se aproximar, fomos 'conferindo' os calouros do semestre mas sem toda a estupidez do bullying nos alunos novos, o que é desnecessário porque apenas pelo fato de eles não reconhecerem o colégio tão bem como nós, os veteranos - no nosso caso, como segunda fase, quase veteranos - eles já se sentem terrivelmente mal. Os olhares estranhos e intimidadores para eles também não ajudam, mas a monofase sobrevive e volta no próximo semestre mais esnobe para continuar com a tradição do bullying em todo começo de semestre. 
Ao começar a aula tivemos a chata e já com acomodado ódio aula de matemática, mas como ainda não temos professor recorrente tivemos que aguentar 55 minutos de pura enrolação, com uma patética professora lá na frente nos dizendo coisas que já sabíamos. Após isso, a aula de química, onde tivemos matéria e rapidamente aprendemos o básico de balanceamento. Depois, recreio e seus indispensáveis 20 minutos, que iriamos usar para adaptar, vamos dizer assim, ao espaço físico do colégio os calouros mas como estávamos com muita fome e deliberada vontade de sair da instituição, fomos até o supermecado vizinho a escola. E então a aula de português, que para minha alegria foi grande parte intercalada com matéria filosófica, com referências até ao incrível Baudelaire, que inventou a teoria do modernismo. Discutimos o que era cultura e como influenciava, e, claro, houveram discussões entre os alunos - sendo eu um dos protagonistas - sobre a equivocada impressão de que os brasileiros tem de que só o nosso emergente país sofre estereotipação e preconceito, como se a maioria dos brasileiros adultos (isto é, os que tem opinião formada) não tivessem estereótipos criados sobre outros países, como Estados Unidos e principalmente aqui na cidade, os vizinhos do Mercosul. Foi uma das melhores aulas de português que eu tenho a muitos anos, simplesmente pelo fato da menção a filosofia e globalização. Incrível. 

Classificar.

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Eu sempre tive uma certa obsessão em mudar, organizar, classificar. Para mim é simplesmente irresistível a chance de fazer um gráfico, uma tabela, ou mais recentemente, um mapeamento. E hoje estou tendo uma oportunidade boa de fazer isso, com a chegada do meu novo roupeiro. Está um dia chuvoso com um frio ocasionado por uma frente fria vinda da Argentina, que baixou a temperatura dos habituais 16º C para agradáveis 10º C. Até sábado pelo menos o clima deverá se manter assim, para minha alegria. Cheguei a pouco da casa de uma amiga, onde passei a noite andando pela praia com ela e alguns amigos. Olhar o mar... Foi magnifico. Minha cidade é litorânea - na verdade, uma ilha - e mar, praia, maresia, é outra coisa a qual não resisto. Me faz pensar, me traz um sentimento de segurança e felicidade. Sabe aqueles momentos onde você apenas está se sentindo bem e nada mais importa? Quando você esquece do que passou e só pensa no que pode acontecer, ou melhor, no que está acontecendo. Pensar no que acabou não, e sim pensar no que começou. Não sei porque o mar me traz esse sentimento; talvez o barulho do repuxo batendo nas pedras da costa, ou então o movimento das ondas indo contra a fina e leve areia, indefesa para o progresso do oceano acima de si própria. É lindo. 

Há alguns meses atrás eu fazia Remo, esporte que comecei nas férias de inverno de 2008. Descobri o esporte por meio de um filme, e acabei até participando de competições. Remar era incrível, eu realmente não consigo descrever como aquela atividade fez bem para mim e como era agradável remar pelas baías de Florianópolis. Como me senti bem após participar de uma competição de mil metros na Beira-Mar Norte. Remar todas as tardes já havia virado parte da minha rotina, rotina essa que se adequava as minhas próprias demandas e ao meu tempo disponível ano passado. Eu entendia e era obrigado a entender que o remo é um esporte que requer dedicação, completa e total dedicação. Mas em 2009 tudo mudou, e eu não podia dar mais minha total dedicação: com o meu ingresso na Escola Técnica meu tempo ficava cada vez mais estreito, e eu me sentia sufocado com tudo aquilo. Por mais benéfico e agradável que fosse o remo, o meu tempo estava se anulando; ia para a escola pela manhã, a tarde remava e pronto, havia acabado meu dia. Só me restavam os finais de semana - isso quando eles restavam, quando não haviam provas a estudar e relatórios a serem feitos -, e eu não estava acostumado a viver com tempo limitado. Eu estava orgulhoso de praticar um esporte e de ter ingressado naquela escola tão renomada, porém me restavam apenas duas opções: continuar com essa cansativa rotina até se sentir completamente exaurido ou parar de remar. Sair da escola não estava entre as opções. Para meu próprio bem e das minhas notas acadêmicas, tive que deixar o esporte, e tentar achar outro com menos requerimento de dedicação. Venho considerando alguns mas ainda não comecei nada, e por mais agradável que fosse remar e por mais que eu sinta falta, parece ter sido o certo ter saído do clube de regatas. 

Vem sendo um inverno muito bom, com talvez as melhores férias que já tive. As aulas se iniciam próxima segunda, e a nostalgia não para de atacar, porém se me oferecessem mais um mês de férias eu agarrava a oferta com as duas mãos. Andar pela praia, caminhar com o dito melhor amigo do homem - e atualmente eu realmente acredito nessa expressão -, visitar amigos, conhecer novas pessoas. Mas vou voltar a organizar e classificar, tomando cuidado para não aplicar essa obsessão a mim mesmo. Eu sei qual é o limite e sei quão fácil é de ultrapassá-lo, mas tomarei cuidado. Não há como pôr nas pessoas e na própria vida etiquetas, estatísticas. São coisas forçadas e superficiais, aquém de exatidão. De qualquer forma, talvez até o exato seja inalcançável, superficial. Quem garante que não podemos mudá-lo?