Livro da Semana

A Desobediência Civil por Henry David Thoreau, livro com idéias que formularam o movimento anarquista contemporâneo.
Não é dever de um homem, na verdade, devotar-se à erradicação de qualquer injustiça, mesmo a maior delas. (...) Mas é seu dever, ao menos, lavar as mãos em relação a ela e não lhe dar seu apoio em termos práticos.

sobre o blog

Apenas algumas idéias práticas que coincidam com meu dia-a-dia, com doses cavalares de ironia, excitação, ódio, alegria e toda a gama variada de sentimentos por qual um adolescente comum é submetido. 
Não direcionado a exibição de nada, ao menos exposição de idéias para pessoas próximas. Por isso, não interprete errado

Os gritos no corredor

0 comentários
Hoje foi o primeiro dia do semestre letivo, e foi como deveria ser: agitado, confuso e, apesar de não sermos mais calouros, novo. Estamos na segunda fase e tudo parece estar acontecendo muito rápido - e de certa forma, realmente está. A 'geração agora' que precisa de tudo imediatamente e faz muitas coisas ao mesmo tempo não sabe administrar seu tempo e não sabe usá-lo de forma completa. 
Quando entrei na escola, um minuto após de seus portões terem sido abertos, fui correndo comprar meu primeiro café do semestre letivo com as sempre simpáticas funcionárias da cantina, e, surpresa: como mudou de mãos o espaço da cantina, para um administrador que parece que vai tranformar aquilo em uma lanchonete cara e sem aquela sensação caseira que a anterior nos fornecia, só irá abrir daqui a duas semanas, fato terrível. Então vi uma amiga de sala, e começamos a conversar. Depois, quando mais gente começava a chegar e o horário da aula a se aproximar, fomos 'conferindo' os calouros do semestre mas sem toda a estupidez do bullying nos alunos novos, o que é desnecessário porque apenas pelo fato de eles não reconhecerem o colégio tão bem como nós, os veteranos - no nosso caso, como segunda fase, quase veteranos - eles já se sentem terrivelmente mal. Os olhares estranhos e intimidadores para eles também não ajudam, mas a monofase sobrevive e volta no próximo semestre mais esnobe para continuar com a tradição do bullying em todo começo de semestre. 
Ao começar a aula tivemos a chata e já com acomodado ódio aula de matemática, mas como ainda não temos professor recorrente tivemos que aguentar 55 minutos de pura enrolação, com uma patética professora lá na frente nos dizendo coisas que já sabíamos. Após isso, a aula de química, onde tivemos matéria e rapidamente aprendemos o básico de balanceamento. Depois, recreio e seus indispensáveis 20 minutos, que iriamos usar para adaptar, vamos dizer assim, ao espaço físico do colégio os calouros mas como estávamos com muita fome e deliberada vontade de sair da instituição, fomos até o supermecado vizinho a escola. E então a aula de português, que para minha alegria foi grande parte intercalada com matéria filosófica, com referências até ao incrível Baudelaire, que inventou a teoria do modernismo. Discutimos o que era cultura e como influenciava, e, claro, houveram discussões entre os alunos - sendo eu um dos protagonistas - sobre a equivocada impressão de que os brasileiros tem de que só o nosso emergente país sofre estereotipação e preconceito, como se a maioria dos brasileiros adultos (isto é, os que tem opinião formada) não tivessem estereótipos criados sobre outros países, como Estados Unidos e principalmente aqui na cidade, os vizinhos do Mercosul. Foi uma das melhores aulas de português que eu tenho a muitos anos, simplesmente pelo fato da menção a filosofia e globalização. Incrível. 

Classificar.

0 comentários

Eu sempre tive uma certa obsessão em mudar, organizar, classificar. Para mim é simplesmente irresistível a chance de fazer um gráfico, uma tabela, ou mais recentemente, um mapeamento. E hoje estou tendo uma oportunidade boa de fazer isso, com a chegada do meu novo roupeiro. Está um dia chuvoso com um frio ocasionado por uma frente fria vinda da Argentina, que baixou a temperatura dos habituais 16º C para agradáveis 10º C. Até sábado pelo menos o clima deverá se manter assim, para minha alegria. Cheguei a pouco da casa de uma amiga, onde passei a noite andando pela praia com ela e alguns amigos. Olhar o mar... Foi magnifico. Minha cidade é litorânea - na verdade, uma ilha - e mar, praia, maresia, é outra coisa a qual não resisto. Me faz pensar, me traz um sentimento de segurança e felicidade. Sabe aqueles momentos onde você apenas está se sentindo bem e nada mais importa? Quando você esquece do que passou e só pensa no que pode acontecer, ou melhor, no que está acontecendo. Pensar no que acabou não, e sim pensar no que começou. Não sei porque o mar me traz esse sentimento; talvez o barulho do repuxo batendo nas pedras da costa, ou então o movimento das ondas indo contra a fina e leve areia, indefesa para o progresso do oceano acima de si própria. É lindo. 

Há alguns meses atrás eu fazia Remo, esporte que comecei nas férias de inverno de 2008. Descobri o esporte por meio de um filme, e acabei até participando de competições. Remar era incrível, eu realmente não consigo descrever como aquela atividade fez bem para mim e como era agradável remar pelas baías de Florianópolis. Como me senti bem após participar de uma competição de mil metros na Beira-Mar Norte. Remar todas as tardes já havia virado parte da minha rotina, rotina essa que se adequava as minhas próprias demandas e ao meu tempo disponível ano passado. Eu entendia e era obrigado a entender que o remo é um esporte que requer dedicação, completa e total dedicação. Mas em 2009 tudo mudou, e eu não podia dar mais minha total dedicação: com o meu ingresso na Escola Técnica meu tempo ficava cada vez mais estreito, e eu me sentia sufocado com tudo aquilo. Por mais benéfico e agradável que fosse o remo, o meu tempo estava se anulando; ia para a escola pela manhã, a tarde remava e pronto, havia acabado meu dia. Só me restavam os finais de semana - isso quando eles restavam, quando não haviam provas a estudar e relatórios a serem feitos -, e eu não estava acostumado a viver com tempo limitado. Eu estava orgulhoso de praticar um esporte e de ter ingressado naquela escola tão renomada, porém me restavam apenas duas opções: continuar com essa cansativa rotina até se sentir completamente exaurido ou parar de remar. Sair da escola não estava entre as opções. Para meu próprio bem e das minhas notas acadêmicas, tive que deixar o esporte, e tentar achar outro com menos requerimento de dedicação. Venho considerando alguns mas ainda não comecei nada, e por mais agradável que fosse remar e por mais que eu sinta falta, parece ter sido o certo ter saído do clube de regatas. 

Vem sendo um inverno muito bom, com talvez as melhores férias que já tive. As aulas se iniciam próxima segunda, e a nostalgia não para de atacar, porém se me oferecessem mais um mês de férias eu agarrava a oferta com as duas mãos. Andar pela praia, caminhar com o dito melhor amigo do homem - e atualmente eu realmente acredito nessa expressão -, visitar amigos, conhecer novas pessoas. Mas vou voltar a organizar e classificar, tomando cuidado para não aplicar essa obsessão a mim mesmo. Eu sei qual é o limite e sei quão fácil é de ultrapassá-lo, mas tomarei cuidado. Não há como pôr nas pessoas e na própria vida etiquetas, estatísticas. São coisas forçadas e superficiais, aquém de exatidão. De qualquer forma, talvez até o exato seja inalcançável, superficial. Quem garante que não podemos mudá-lo?