Livro da Semana

A Desobediência Civil por Henry David Thoreau, livro com idéias que formularam o movimento anarquista contemporâneo.
Não é dever de um homem, na verdade, devotar-se à erradicação de qualquer injustiça, mesmo a maior delas. (...) Mas é seu dever, ao menos, lavar as mãos em relação a ela e não lhe dar seu apoio em termos práticos.

sobre o blog

Apenas algumas idéias práticas que coincidam com meu dia-a-dia, com doses cavalares de ironia, excitação, ódio, alegria e toda a gama variada de sentimentos por qual um adolescente comum é submetido. 
Não direcionado a exibição de nada, ao menos exposição de idéias para pessoas próximas. Por isso, não interprete errado

Classificar.


Eu sempre tive uma certa obsessão em mudar, organizar, classificar. Para mim é simplesmente irresistível a chance de fazer um gráfico, uma tabela, ou mais recentemente, um mapeamento. E hoje estou tendo uma oportunidade boa de fazer isso, com a chegada do meu novo roupeiro. Está um dia chuvoso com um frio ocasionado por uma frente fria vinda da Argentina, que baixou a temperatura dos habituais 16º C para agradáveis 10º C. Até sábado pelo menos o clima deverá se manter assim, para minha alegria. Cheguei a pouco da casa de uma amiga, onde passei a noite andando pela praia com ela e alguns amigos. Olhar o mar... Foi magnifico. Minha cidade é litorânea - na verdade, uma ilha - e mar, praia, maresia, é outra coisa a qual não resisto. Me faz pensar, me traz um sentimento de segurança e felicidade. Sabe aqueles momentos onde você apenas está se sentindo bem e nada mais importa? Quando você esquece do que passou e só pensa no que pode acontecer, ou melhor, no que está acontecendo. Pensar no que acabou não, e sim pensar no que começou. Não sei porque o mar me traz esse sentimento; talvez o barulho do repuxo batendo nas pedras da costa, ou então o movimento das ondas indo contra a fina e leve areia, indefesa para o progresso do oceano acima de si própria. É lindo. 

Há alguns meses atrás eu fazia Remo, esporte que comecei nas férias de inverno de 2008. Descobri o esporte por meio de um filme, e acabei até participando de competições. Remar era incrível, eu realmente não consigo descrever como aquela atividade fez bem para mim e como era agradável remar pelas baías de Florianópolis. Como me senti bem após participar de uma competição de mil metros na Beira-Mar Norte. Remar todas as tardes já havia virado parte da minha rotina, rotina essa que se adequava as minhas próprias demandas e ao meu tempo disponível ano passado. Eu entendia e era obrigado a entender que o remo é um esporte que requer dedicação, completa e total dedicação. Mas em 2009 tudo mudou, e eu não podia dar mais minha total dedicação: com o meu ingresso na Escola Técnica meu tempo ficava cada vez mais estreito, e eu me sentia sufocado com tudo aquilo. Por mais benéfico e agradável que fosse o remo, o meu tempo estava se anulando; ia para a escola pela manhã, a tarde remava e pronto, havia acabado meu dia. Só me restavam os finais de semana - isso quando eles restavam, quando não haviam provas a estudar e relatórios a serem feitos -, e eu não estava acostumado a viver com tempo limitado. Eu estava orgulhoso de praticar um esporte e de ter ingressado naquela escola tão renomada, porém me restavam apenas duas opções: continuar com essa cansativa rotina até se sentir completamente exaurido ou parar de remar. Sair da escola não estava entre as opções. Para meu próprio bem e das minhas notas acadêmicas, tive que deixar o esporte, e tentar achar outro com menos requerimento de dedicação. Venho considerando alguns mas ainda não comecei nada, e por mais agradável que fosse remar e por mais que eu sinta falta, parece ter sido o certo ter saído do clube de regatas. 

Vem sendo um inverno muito bom, com talvez as melhores férias que já tive. As aulas se iniciam próxima segunda, e a nostalgia não para de atacar, porém se me oferecessem mais um mês de férias eu agarrava a oferta com as duas mãos. Andar pela praia, caminhar com o dito melhor amigo do homem - e atualmente eu realmente acredito nessa expressão -, visitar amigos, conhecer novas pessoas. Mas vou voltar a organizar e classificar, tomando cuidado para não aplicar essa obsessão a mim mesmo. Eu sei qual é o limite e sei quão fácil é de ultrapassá-lo, mas tomarei cuidado. Não há como pôr nas pessoas e na própria vida etiquetas, estatísticas. São coisas forçadas e superficiais, aquém de exatidão. De qualquer forma, talvez até o exato seja inalcançável, superficial. Quem garante que não podemos mudá-lo? 


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